Fechar

www.vejaagorabrasil.org

Buscar

Inflação de 2016 fortalece aposta de economistas de queda maior dos juros

Reportar Abuso
Inflação de 2016 fortalece aposta de economistas de queda maior dos juros

forte desaceleração da inflação oficial, divulgada nesta quarta-feira (11), fortalece a aposta dos economistas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) vai acelerar o ritmo de redução da taxa básica de juros (Selic). Depois de duas reduções de 0,25 ponto, o grupo se reúne nesta tarde, quando deverá anunciar mais um corte. Hoje, os juros estão em 13,75% ao ano.
Em novembro de 2016, Copom fez segundo corte seguido na taxa Selic (Foto: Arte/G1) Em novembro de 2016, Copom fez segundo corte seguido na taxa Selic (Foto: Arte/G1)
Em novembro de 2016, Copom fez segundo corte seguido na taxa Selic (Foto: Arte/G1)
Rogério Mori, professor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV), considera que a taxa Selic deverá cair nesta quarta-feira e seguir ritmo ao longo do ano. Em 2016, a inflação fechou em 6,29%, abaixo do teto de metas em vigor no país. A estimativa mais recente dos economistas dizia que o IPCA chegaria no final do ano a 6,35%.
“A queda deve ficar em meio ponto percentual, o que levará a taxa Selic para 13,25% ao ano. Essa queda se alinha, de um lado, com a convergência da inflação para o centro da meta, de 4,5%, e, por outro, com o debilitado ritmo da atividade econômica brasileira. Nesse sentido, a queda recente da inflação abriu espaço para cortes na taxa de juros por parte do Banco Central, o que estimulará a demanda e a produção no médio prazo”, diz.
Segundo ele, se o comportamento da inflação for mesmo de queda e se a economia brasileira continuar debilitada, podem haver cortes mais agressivos na taxa básica de juros. “Há ainda o cenário externo, não sabemos como será a economia americana com Donald Trump”, diz. Segundo Mori, o mercado trabalha com taxa de juros de 10,5% até o final de 2017.
Apesar da queda nos juros, Mori recomenda cautela para os consumidores. “O ritmo da atividade econômica brasileira segue fraco e a tendência do desemprego é de elevação no primeiro trimestre do ano. Nesse sentido, não é recomendável que novas dívidas sejam assumidas nesse cenário. Ao mesmo tempo, a queda da Selic traz algum alívio marginal para quem está endividado, uma vez que as taxas de juros devem registrar algum recuo. De qualquer forma, o quadro atual inspira conservadorismo em termos de gastos e de dívidas".
Para o professor de finanças da Fundação Instituto de Administração (FIA), Alexandre Cabral, o "problema" da inflação está bem encaminhado, o que deverá pressionar o Copom a baixar mais os juros.

"Estamos com juros reais (descontada a inflação) na casa de 8%, que é considerado um valor muito alto para qualquer economia. O problema da inflação está bem encaminhado, portanto, está na hora de o Banco Central acelerar a queda dos juros. Como esse atual mandato está se demonstrando conservador, acredito em quedas sequenciais de 0,50%", afirma.
O economista do Mackenzie Pedro Raffy Vartanian acha que a tendência é que a inflação convirja para a meta de 4,5% no decorrer deste ano, o que abre espaço para o Banco Central reduzir mais a taxa de juros. “Até porque a política monetária já mostrou os resultados esperados”, diz.
Segundo ele, o aumento a taxa de juros ajudou na queda da inflação, pois impactou a atividade econômica, o crédito, os gastos dos consumidores e investimentos dos empresários em novos negócios. “Isso gerou queda na demanda da economia, o que provocou queda nos preços. É o efeito colateral da política monetária”, afirma.
Para ele, o processo de redução da taxa de juros será gradual. Sua aposta é que a atividade econômica continuará enfraquecida neste primeiro semestre, com possibilidade de melhorar só a partir do segundo semestre e retomada um pouco mais contundente no ano que vem.
“A taxa de juros menor estimula o crédito, pois facilita as condições para financiar bens como carro e imóveis, o que estimula mais o consumo. Os empresários, por sua vez, passam a investir mais em novos negócios com o ambiente econômico mais positivo”, diz.
Vartanian estima que a taxa de juros deve ficar entre 9% a 10,5% até o final do ano.
Marcos Mollica, sócio gestor de portfólio da Rosenberg Investimentos, acha que o Copom vai acelerar o corte de juros em 2017, chegando muito próximo de 10% no final do ano. “Vai depender de como evoluirá a atividade econômica e se essa queda da inflação vai se confirmar no próximo mês”, diz.
Para ele, a inflação de 2016 veio ligeiramente abaixo do que se esperava. Segundo Mollica, ajudaram muito no índice de dezembro o item alimentação e principalmente o setor de serviços, que vem apresentando desaceleração. “Assim aumentam as chances de 2017 ter uma inflação que deve convergir para a meta de 4,5% até o final do ano”, diz.
Cortes
Em outubro, o BC realizou o primeiro corte na Selic em quatro anos, quando ela passou de 14,25% para 14%. Em novembro, o comitê fez o segundo corte, e a taxa foi para 13,75%, patamar atual. O mercado espera que o Copom anuncie nesta quarta um corte mais agressivo, de 0,50 ponto percentual, o que levaria a Selic para 13,25% ao ano.
Alguns economistas apostam num corte ainda maior, de 0,75 ponto percentual. Em relatório divulgado para clientes, o Itaú afirma que “a queda na inflação corrente (mais intensa e difundida do que o esperado) e a perspectiva de retomada econômica ainda mais lenta do que se antecipava sugerem um corte mais agressivo na taxa de juros. Acreditamos que o Copom irá reduzir a Selic em 0,75 ponto percentual, que nos parece ser consistente com a sua comunicação atual, bem como com os últimos indicadores econômicos”.
Série de cortes
A expectativa dos economistas de bancos ouvidos pelo BC é que o Copom, que se reúne a cada 45 dias, continuará a reduzir a taxa de juros nos próximos meses. Para o final de 2017, eles estimam uma Selic de 10,25% ao ano.
O aumento dos juros, ou sua manutenção em um patamar elevado, é o principal mecanismo usado pelo BC para frear a inflação. O objetivo é encarecer o crédito e reduzir o consumo no país.
Juros altos, no entanto, prejudicam a atividade econômica e, consequentemente, inibem a geração de empregos. Quando o Banco Central julga que a inflação está compatível com as metas preestabelecidas, pode baixar os juros.
No mais recente Boletim Focus, os economistas ouvidos pelo Banco Central reduziram suas estimativas para a inflação. Para este ano, o mercado espera uma inflação de 4,81%.
Para 2016, 2017 e 2018, a meta central é de inflação em 4,5%. Entretanto, o sistema prevê um piso e um teto, que é de inflação em 6,5%, em 2016, e em 6% em 2017 e 2018.

Veja Mais isso


Isso você não pode perder